terça-feira, agosto 17, 2004

A Ordem Natural das Coisas

Copio também para aqui, já agora não custa nada e pode ser que quem venha aqui não vá a outro sítio ou vice-versa, enfim, não custa nada, para não deixar morrer o artista e Setembro demorar mais a chegar, este ano, num formato diferente, com um todo novo contorno de ansiedade. É a vida e a sua ordem natural, ideia da qual não consigo evitar ser fã fã há anos já, tudo por causa do António Lobo Antunes que chamou, com a simplicidade que só as coisas sublimes têm, a um livro "A Ordem Natural das Coisas". E já me alongo.

Não era esta a letra que eu queria pôr, mas não quero ilações apesar de as haver e por isso a outra me diz mais qualquer coisa. Enfim, há quem leia o blog, suponho, e permaneço intacta de integridade.
A Naifa, é preciso ouvir, é preciso babar. Falo sempre de música, e de forma pobre e incompleta mas falo do que me fala a mim, perdoem-me. A metafísica não me assalta ultimamente, apetece-me fugir da responsabilidade da razão! Só me apetece os sentidos e a sensibilidade, excepto naqueles momentos pseudo-políticos inclassificáveis em que tudo é estigma e nada devia ser e eu própria estigmatizo todos os conceitos indevidamente e não consigo nunca observar e considerar com isenção. É um lugar onde nunca conseguirei estar, o vácuo pré, livre de preconceitos. Lamento mesmo muito.


Queixas de um utente
Pago os meus impostos, separo
o lixo, já não vejo televisão
há cinco meses, todos os dias
rezo pelo menos duas horas
com um livro nos joelhos,
nunca falho uma visita à família,
utilizo sempre os transportes
públicos, raramente me esqueço
de deixar água fresca no prato
do gato, tento ser correcto
com os meus vizinhos e não cuspo
na sombra dos outros

Já não me lembro se o médico
me disse ser esta receita a indicada
para salvar o mundo ou apenas
ser feliz. Seja como for,
não estou a ver resultado nenhum.

(José Miguel Silva)

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